Microfluídica

A microfluídica pode ser definida como a ciência e engenharia de sistemas com dimensões micrométricas, na qual o comportamento dos fluídos difere da teoria tradicional para domínios macroscópicos. A microfluídica pode ser explorada para uma variedade de aplicações científicas e tecnológicas e, por esse motivo, há a necessidade de maior discussão sobre os efeitos desse escalonamento.

O desenvolvimento de microssensores de fluxo, microbombas e microválvulas no final dos anos 80 dominou os primeiros estágios da área de microfluídica. Durante este período, as principais plataformas exploradas para a fabricação de microssistemas eram baseadas em vidro, quartzo e silício. No entanto, desde a década de 1990 plataformas de menor custo e fácil acesso estão sendo cada vez mais empregadas em microfluídica, incluindo polímeros elastoméricos (PDMS, por exemplo) e materiais descartáveis como papel e filmes de transparência. Atualmente, sistemas microfluídicos podem ser utilizados em diferentes áreas incluindo química, biologia, medicina, dentre outras. Alguns exemplos de aplicações destes dispositivos incluem determinação de pH, monitoramento de cinética de reações, interações biomoleculares, separações eletroforéticas, imunoensaios, citometria de fluxo, manipulação de células, além de análises proteômicas, metabolômicas, de DNA e várias outras aplicações.

O uso de tais dispositivos apresenta uma série de vantagens bastante atrativas do ponto de vista econômico e tecnológico. Primeiro, porque o volume de fluídos no interior destes sistemas é muito pequeno (nano litros a micro litros). Isto é especialmente significativo para reagentes caros, ou em situações onde a quantidade de amostra é reduzida. Além disso, várias técnicas de fabricação são relativamente baratas, permitindo a produção em larga escala, bem como a integração de múltiplas etapas químicas em um único dispositivo. Em consequência do tamanho reduzido dos dispositivos, é possível, por exemplo, realizar uma análise química em um intervalo de tempo da ordem de segundos.

A microfluídica começou a ser desenvolvida no Brasil no início dos anos 2000. Atualmente, já existem alguns grupos de pesquisa dedicados integralmente a esta linha de pesquisa. Neste contexto, o VII Workshop em Microfluídica será importante para acompanhar os avanços nessa área.