A premiação do I Concurso de Imagens Científicas do Centro de Engenharia Molecular para Materiais Avançados (CEMol) foi realizada durante o I Workshop do CEMol no dia 12 de maio de 2026. 54 imagens foram submetidas no total por 27 participantes.
O comitê organizador do Workshop selecionou dentre as imagens enviadas, uma finalista de cada uma das 5 áreas temáticas do CEMol. Os finalistas foram Tracísio Perfecto na área de Ferramentas Científicas, Leonardo Hasimoto, na área de Energia Alternativa, João Otávio Avila Nascimento na área de Materiais Quânticos, Juliana Martins da Silva na área de Materiais Sustentáveis e Gabriel Pimentel na área de Saúde.
O comitê organizador do Congresso e o Comitê Executivo do CEMol votaram a vencedora dentre essas 5 imagens. As imagens de Tarcísio Perfecto e Gabriel Pimentel empataram como as mais votadas e foram as grandes vencedoras. Os demais finalistas receberam menções honrosas. Todos os finalistas ganharam um quadro com sua imagem impressa.
Confira abaixo as imagens premiadas e suas descrições:
Vencedor – Tarcísio Perfecto
A imagem de autoria de Tarcisio Perfecto, especialista do Laboratório Nacional de Nanotecnologia do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (LNNano-CNPEM), mostra a organização atômica e a rede cristalina hexagonal de uma amostra de dissulfeto de molibdênio (MoS2). Obtida através de Microscopia Eletrônica de Transmissão de Alta Resolução sob iluminação de feixe paralelo no microscópio Titan Themis, a captura atinge uma resolução espacial extrema de 56 pm, o que permite uma resolução em escala atômica.
Essa imagem representa o limite do que é possível visualizar na caracterização de materiais bidimensionais (2D). O registro faz parte das pesquisas desenvolvidas pelo grupo do pesquisador vinculado ao CEMol Murilo Santhiago e são voltadas à caracterização estrutural de materiais funcionais avançados e em nanoescala, essenciais para o desenvolvimento de tecnologias sustentáveis, com uso na produção de hidrogênio verde.
Vencedor – Gabriel Pimentel
A imagem vencedora, de autoria de Gabriel Pimentel, analista do LNNano-CNPEM, foi obtida por microscopia eletrônica de varredura e permite visualizar a distribuição de óxido de grafeno (verde) em meio às partículas de ouro (azul) em um microeletrodo nanoestruturado. O óxido grafeno serve para funcionalizar o eletrodo, tornando possível a ancoragem de biomoléculas, como anticorpos e proteínas. Dessa forma, esse dispositivo pode compor sensores biológicos, usados em diagnósticos biológicos precisos e custo-efetivos.
O dispositivo foi desenvolvido como uma plataforma versátil de detecção de moléculas biológicas com alta sensibilidade. Como prova de conceito, os pesquisadores utilizaram anticorpos voltados à detecção da proteína hemaglutinina (HA) do vírus influenza AH1N1, demonstrando que o sensor é capaz de identificar concentrações na faixa de 20 attomolar — cerca de mil vezes menores do que as reportadas anteriormente por outras pesquisas.
Essa imagem faz parte de uma pesquisa que foi publicada em Pimentel, G. J. C.; Ayres, L. B.; Costa, J. N. Y.; Paschoalino, W. J.; Whitehead, K.; Kubota, L. T.; De Oliveira Piazzetta, M. H.; Gobbi, A. L.; Shimizu, F. M.; Garcia, C. D.; Lima, R. S. Ultradense Electrochemical Chips with Arrays of Nanostructured Microelectrodes to Enable Sensitive Diffusion-Limited Bioassays. ACS Appl. Mater. Interfaces 2025, 17 (9), 13037–13049. https://doi.org/10.1021/acsami.4c01159
A pesquisa foi feita com orientação do pesquisador Renato Sousa Lima (LNNano-CNPEM).
Menção Honrosa – Juliana Martins da Silva
A imagem de microscopia eletrônica de varredura, de autoria de Juliana Martins da Silva, analista do LNNano-CNPEM, mostra dois pedaços de madeira (em marrom mais claro) unidos por um adesivo natural composto de látex e lignina (marrom escuro). A imagem demonstra que o adesivo se ligou de maneira íntima com uma estrutura porosa e complexa da madeira, preenchendo os espaços na interface entre os materiais. Essa pesquisa demonstra o potencial de uso de um adesivo com base em água e produzido a partir de recursos renováveis.
O adesivo também foi testado em superfícies planas. Os resultados foram publicados por Juliana e colaboradoras em:
Silva, J. M. D.; Claro, P. I. C.; Petry, R.; De Almeida, J. M.; Bettini, J.; Lorevice, M. V.; Fazzio, A.; Gouveia, R. F. Adhesion Performance from Nano and Molecular — To Macro Insights for Bio-Based Adhesives. Chemical Engineering Journal 2025, 523, 168732. https://doi.org/10.1016/j.cej.2025.168732
A pesquisa foi feita com orientação da pesquisadora vinculada ao CEMol Rubia Figueredo Gouveia (LNNano-CNPEM).
Menção Honrosa – Leonardo Hasimoto
A imagem de microscopia eletrônica de varredura, de autoria de Leonardo Hideki Hasimoto, estudante de doutorado na Universidade Federal do ABC (UFABC) e do LNNano-CNPEM, demonstra a formação de bordas induzidas por deformação em monocamadas de MoS2 por meio de alongamento do material sobre um substrato ondulado e alongável a base de ouro. O MoS2 se deformou e assumiu o formato do substrato, como pode ser visto na imagem. Essa deformação, em adição às bordas, aumenta a densidade de sítios ativos, o que melhora o potencial uso do material para produção de hidrogênio verde.
Esses resultados fazem parte de um estudo mais amplo voltado ao desenvolvimento de plataformas extensíveis à base de ouro para modular as propriedades estruturais e catalíticas de monocamadas de MoS₂ por meio da geração controlada de deformações e defeitos.
O trabalho que gerou a imagem foi publicado em: Hasimoto, L. H.; Araujo, A. B. S. de; Lourenço, C. de; Merces, L.; Candioto, G.; Leite, E. R.; Capaz, R. B.; Santhiago, M. Strain and Defect-Engineering on the Basal Plane of Ultra-Large MoS2 Monolayers Attached onto Stretchable Gold Electrodes. J. Mater. Chem. A 2024, 12 (28), 17338–17349. https://doi.org/10.1039/D4TA02042A
A pesquisa foi feita sob orientação do pesquisador vinculado ao CEMol Murilo Santhiago (LNNano-CNPEM).
Menção Honrosa – João Otávio de Ávila Nascimento
A imagem de autoria de João Otávio de Ávila Nascimento, doutorando pela Universidade de São Paulo (USP) e graduado pela Ilum – Escola de Ciências do CNPEM, mostra o que ele chamou de nanocubos quirais de ouro. A imagem foi obtida através do uso combinado de feixe de íons focalizados e microscópio eletrônico de varredura de alta resolução. A característica “quiral” foi induzida pelo uso de D-cisteína, o que estrutura a organização de sua superfície e modula as características óticas e eletrocatalíticas dos nanocubos.
Essa imagem faz parte de um estudo mais amplo do grupo dos pesquisadores vinculados ao CEMol, Leandro Merces e Valeria Spolon Marangoni, que testam o uso de nanoestruturas metálicas quirais para uso em geração de hidrogênio verde.
Sobre o CEMol
O Centro de Pesquisa em Engenharia Molecular para Materiais Avançados (CEMol) é um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). O CEMol é uma iniciativa multi-institucional com sede no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) composto também por pesquisadores da USP, UFSCar, UFABC, Unifesp, Unesp, Embrapa e IPEN. Os pesquisadores do CEMol empregam técnicas de síntese e caracterização de materiais e se utilizam de ciência de dados para contribuir com o desenvolvimento de dispositivos e novos materiais. A abordagem interdisciplinar do CEMol está voltada para produzir soluções para problemas da sociedade nas áreas de Energia Alternativa, Materiais Sustentáveis, Saúde, Materiais Quânticos e Ferramentas Científicas. Para mais informações acesse: https://pages.cnpem.br/cepidcemol/











